sexta-feira, 29 de julho de 2016

Doce de tomate



Sou ribatejana e, desde pequena, que me recordo de ver os camiões de tomate a passar nas estradas a partir do meio do verão. A campanha do tomate nas Lezírias em agosto é uma memória de infância que guardo. Tenho que reconhecer que agora vejo menos carros carregados de tomate a passar, não sei porquê... talvez tomem uma rota diferente ou sou eu que passo menos vezes naquelas estradas e ando mais por outras. A verdade é que a fábrica de tomate continua a existir e o tomate maduro, aromático, ácido e doce ao mesmo tempo, continua a ser uma produção típica das Lezírias, um produto que tanto é bom utilizado fresco, como em conserva e que serve para pratos salgados e doces deliciosos. Desta vez fiz doce de tomate chucha fresco e esta compota também já foi utilizada noutra receita que publicarei em breve e que ficou uma delícia.
Outra memória de infância que guardo é o doce de tomate da minha avó paterna. Era o melhor doce de tomate que já comi e comi-o durante muitos anos. A minha avó Josefina, Avó Fina, como eu lhe chamava, era uma cozinheira especialmente dotada para doces. Era bastante gulosa (punha sempre 2 pacotes de açúcar em cada café!) e fazia algumas sobremesas e doces que eram a minha perdição. O doce de tomate era um deles. Fazia-o sempre em agosto e eu adorava comê-lo com bolachas de água e sal ou com queijo nos lanches de domingo em casa dela. Este meu doce tão está ao nível do que a minha avó fazia, mas ficou bastante bom e deu para matar alguma saudade.

Ingredientes:
1 quilo de tomate chucha maduro
500 gr de açúcar
1 pau de canela

Preparação:
Comece por dar um escaldão aos tomates para os pelar. Retire a pele, corte os tomates ao meio longitudinalmente e retire as sementes. Corte os tomates em pedaços pequenos, junte o açúcar e coloque tudo num tacho. Junte o pau de canela e deixe cozinhar em lume médio. Eu utilizo o pau de canela apenas para "cortar" a acidez do tomate, mas não o deixo durante toda a preparação para não libertar demasiado aroma. Ao fim de 30 minutos retirei o pau de canela e deixei o doce apurar até atingir um ponto de compota. Demora algum tempo, pois o tomate tem muita água. Em relação à canela, aromatizem conforme o vosso gosto.

Bom apetite!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Wraps de abacate e salada russa de atum



Aqui está uma receita prática, fresca e perfeita para estes dias de muito calor. Serve como refeição leve para tomar em casa ou para levar para a praia ou para um piquenique. A salada russa pode ser feita de véspera e guardada no frigorífico e depois é só montar os wraps. Espero que gostem da sugestão.
Votos de bom fim-de-semana e boas férias para quem está de férias.
 
Ingredientes para 4 wraps:
4 tortilhas para wrap
2 latas de atum
100 gr de ervilhas cozidas
1 abacate maduro, sem estar desfeito
Sumo de meia lima
1 cenoura grande
4 folhas de alface 
Meio pimento vermelho
Maionese ou outro molho à escolha qb

Preparação:
Prepare a salada russa. Coza as ervilhas em água e sal. Reserve até arrefecerem. Numa taça coloque as ervilhas já frias, a cenoura (crua) ralada em fios grossos e a alface cortada em juliana fina. Junte o atum desfeito com um garfo. Envolva tudo com alguma maionese ou com outro molho a gosto.
No momento de montar os wraps, aqueça-os ligeiramente na frigideira ou micro-ondas, conforme as instruções da embalagem. Abra o abacate e corte-o em gomos, humedecendo logo com o sumo da lima para não oxidar. Corte o pimento em tiras. Monte os wraps, colocando 2 a 3 colheres de sopa de salada russa em cada um, algumas tiras de abacate e pimento. Guarneça com um pouco mais de maionese. Feche-os, enrole com um guardanapo e sirva. Se optar por levar os wraps na lancheira para comer mais tarde, embrulhe-os em folha de alumínio.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!
 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Bolo de pistácio com creme de ricotta e gelado



A última viagem a Itália foi à Sicília, uma ilha com produtos magníficos, onde tudo o que cresce na terra e nas árvores é delicioso. A cozinha siciliana usa muito o pistácio, tanto em doces, como em pratos salgados. Voltei com muita vontade de utilizar mais pistácio nas minhas receitas, até porque gosto bastante deste fruto. Esta sobremesa foi a primeira criação inspirada nos doces que provei nas férias.
 
Ingredientes:
3 ovos
150 gr de açúcar
150 gr de manteiga sem sal
100 gr de farinha com fermento
60 gr de pistácio moído
Para o creme:
250 gr de queijo ricotta + 100 gr de açúcar em pó + pistácio triturado qb
Para o gelado: 250 gr de massapão de pistácio + 200 ml de nata

Preparação:
Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme esbranquiçado e fofo. Junte os ovos inteiros, um a um, continuando sempre a bater. Por fim envolva a farinha e os pistácios moídos. Coloque o preparado numa forma redonda de 20 cm, previamente untada. Leve a cozer durante 30 minutos em forno pré-aquecido a 190º. Entretanto prepare o creme, misturando a ricotta com o açúcar em pó.
Depois de frio, desenforme o bolo, parta-o ao meio e recheie com metade do creme, usando a outra metade para cobrir. Polvilhe com pistácio triturado.
Podem guarnecer o bolo com gelado de pistácio ou outro, sendo que o bolo é delicioso por si só. Como eu tinha trazido da Sicília uma espécie de massapão de pistácio, experimentei fazer o gelado: bati, no liquidificador, 250 gr da pasta de pistácio (massapão) com um copo de água. À parte bati 200 ml de nata fresca sem açúcar e envolvi no preparado anterior. Levei ao congelador e fui mexendo de 2 em 2 horas para ficar mais cremoso e não ganhar cristais de gelo. Ficou uma delícia! Por fim polvilhei tudo com pistácio triturado.






quarta-feira, 13 de julho de 2016

Salada de couve e manjericão com mirtilos e laranja



Eu gosto de saladas durante todo o ano mas, como a maioria das pessoas, suponho, também as consumo mais de verão. Gosto de saladas quentes e frias, com todo o tipo de ingredientes, até porque adoro misturar sabores, pelo que uma salada é uma tela (neste caso um prato) em branco onde posso dar largas à imaginação sem limites. Muitas vezes faço saladas com o que tenho no frigorífico, principalmente aos almoços, quando quero uma refeição rápida, a meio do dia de trabalho. Esta salada ficou deliciosa!! A conjugação de sabores resultou mesmo muito bem. Eu gosto muito de juntar mirtilos com queijo e a laranja deu uma acidez qb que ficou fantástica com a frescura da couve e do manjericão. Adorei mesmo o resultado, quando comecei a misturar ingredientes nem pensei que ficasse tão boa. Esta é para repetir!

Ingredientes para 2 pessoas:
Meia couve coração
2 laranjas
100 gr de mirtilos frescos
80 gr de queijo da ilha ou ementhal em cubos
6 ramos de manjericão fresco (só folhas)
2 fatias finas de presunto
Azeite, vinagre de cidra, sal e pimenta qb
Sumo de uma laranja
2 colheres de sobremesa de sementes de papoila

Preparação:
Lave bem a couve e corte-a em juliana muito fina. Descasque as laranjas e corte-as em gomos, retirando todos os caroços e partes brancas. Corte o queijo em cubos pequenos. Misture a couve com os mirtilos, o queijo, a laranja e o manjericão. Corte as fatias de presunto em tiras. Numa frigideira anti-aderente deite um pequeno frio de azeite e deixe o presunto fritar até ficar muito crocante.
Num frasco ponha o sumo da laranja, 1 colher de sopa de azeite, 1 colher de chá de vinagre de cidra, sal e pimenta. Misture tudo, emulsionando no frasco, e regue a salada com esta mistura. Termine guarnecendo a salada com as sementes de papoila e o presunto crocante.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Panna Cotta Tropical (com manga e coco)



Adoro fazer panna cotta por vários motivos: porque é fácil, porque permite várias conjugações de sabores, porque o meu marido diz que a minha é melhor do que a de alguns restaurantes italianos :) Com tal elogio, fico tão contente, que faço a panna cotta ainda com mais prazer! Ele gosta muito e eu também. É uma sobremesa fresca e que conjuga bem com qualquer doce, compota ou fruta que tenhamos em casa. Esta é uma panna cotta tropical, de coco e manga. Ficou muito boa, sirvam-na bem fresca e gozem o fim-de-semana!

Ingredientes:
250 ml de leite de coco
400 ml de nata
70 gr de açúcar
5 folhas de gelatina incolor
400 gr de polpa de manga
3 a 4 colheres de sopa de leite condensado magro
2 colheres de sopa de caju torrado sem sal

Preparação:
Demolhe as folhas de gelatina em água cerca de 5 minutos ou até estarem hidratadas. Coloque o leite de coco, as natas e o açúcar num tacho e leve ao lume até quase levantar fervura, nesse momento desligue o lume e junte as folhas de gelatina espremidas. Mexa até que a gelatina se desfaça totalmente. Unte com óleo vegetal pequenas formas de pudim (ou uma grande) e despeje o preparado nas formas. Leve ao frigorífico até solidificar (4 horas no mínimo).
Misture a polpa de manga com o leite condensado. Toste ligeiramente os cajus no forno (10 a 12 minutos a 190º) e pique-os grosseiramente, depois de arrefecerem. No momento de servir, coloque as panna cotta no prato e deite umas colheradas de molho de manga em cada uma. Termine polvilhando com caju picado.

Bom apetite! Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Couscous de caldeirada de bacalhau



O desafio deste mês do grupo Dia Um... Na Cozinha era incontornável, pelo menos para mim. Gosto muito de couscous, é um alimento muito fácil de preparar e versátil. Os couscous podem receber todos os sabores e fazer todo o tipo de refeição, da mais tradicional à mais inovadora, com sabores de outros continentes ou mais mediterrânicos. Podem constituir o prato principal ou servir de acompanhamento e conjugam bem com peixe, carne, legumes ou mariscos. Dá para tudo. Na minha opinião, é como o arroz. Talvez por isso eu, que sou uma arrozeira convicta desde criança, também tenha ficado rapidamente fã de couscous.
Apesar de ser um alimento muito usado na culinária do norte de África, desta vez resolvi adaptá-lo a sabores muito nossos: bacalhau e caldeirada. Fiz a experiência. Correu bem. Uma das coisas que mais me agrada na cozinha é este aspeto camaleónico dos alimentos e das próprias ideias. Basta adaptar, transformar uma ideia de peixe num prato de carne, uma receita do mundo num sabor português ou um empratamento de uma bonita sobremesa numa ideia original para servir um prato principal. Hoje assim, amanhã assado (literalmente ou não...), hoje de uma cor, outro dia de outra, uma vez sushi de alheira, de outra vez pizza alentejana, desta vez couscous de caldeirada... de bacalhau! Não podia ser mais tuga e não deixa de ser couscous. Votos de bom fim-de-semana para todos!
Ingredientes para 4 pessoas:
400 gr de couscous
2 postas de bacalhau ou 600 gr de pedaços para caldeirada
1 cebola grande
Meio pimento verde
Meio pimento vermelho
Meio pimento amarelo
4 tomates maduros
3 dentes de alho
1 dl de azeite
1 ramo de salsa 
1 ramo de coentros
Sal e pimenta qb
 
Preparação:
Deite o azeite num tacho juntamente com a cebola em rodelas, os alhos esmagados, o tomate em pedaços e os pimentos cortados em tiras. Tempere com um pouco de sal e deixe cozinhar até os pimentos começarem a ficar macios. Nesse momento junte o bacalhau, o ramo da salsa e um pouco de água (1 a 2 dl). Deixe cozinhar por 10 minutos com o tacho tapado. No fim desse tempo, retire o tacho do lume. No suco da caldeirada (aproveite todo o tomate, cebola, pimentos e todos os sucos) deite o couscous. O líquido deve ficar a cobrir o couscous por completo. Tape o tacho e deixe repousar por 10 minutos. Aproveite esse tempo para lascar o bacalhau e retirar todas as peles e espinhas. No fim dos 10 minutos, solte o couscous com um garfo, junte o bacalhau ao couscous e misture tudo. Retifique de sal e pimenta e polvilhe com coentros picados. Está pronto a servir!

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!