domingo, 30 de agosto de 2015

Pudins de gelatina e iogurte


O ano escolar está quase a começar. Muitas vezes faltam ideias para lanches saudáveis e diferentes para as crianças, algo que também lhes agrade e adoce um pouco a boca... Eu já tinha ouvido falar de gelatinas com iogurte, mas nunca tinha experimentado, até que este fim de semana fiz para levar para a praia. É uma preparação do mais simples que há e serve de sobremesa ou lanche para adultos e graúdos. Fica muito mais económico do que comprar gelatinas e pudins já feitos e ainda tem a vantagem de ter todos os bons nutrientes do iogurte e não ter açúcar adicionado. Fiquei absolutamente fã destes pudins! O meu marido gostou imenso e o nosso sobrinho devorou o que eu tinha levado para a praia... fiquei sem o pudim, mas muito contente por lhe ter agradado :)

Ingredientes:
1 pacote de gelatina em pó com sabor à escolha (pacote de 80 a 90 gr - usei gelatina 0% de ananás da marca Continente)
5 dl de água (2,5  + 2,5)
3 iogurtes naturais sem açúcar (120 gr x 3)

Preparação:
Ferva 2,5 dl de água. Coloque a gelatina em pó numa tigela grande e deite a água a ferver por cima. Mexa até desfazer bem toda a gelatina. Logo de seguida deite 2,5 dl de água fria e volte a mexer para misturar tudo. Deixe arrefecer uns 10 minutos. Coloque os 3 iogurtes numa tigela e bata-os bem um uma colher, depois vá juntando, em fio, o líquido do preparado de gelatina. Quando estiver tudo bem misturado, distribua por pequenas taças e leve ao frio pelo menos 4 horas até solidificar.
Deve juntar o líquido ao iogurte (lentamente) e não o contrário para evitar que o iogurte fique talhado.

Dica: costumo utilizar os frascos de compotas, azeitonas ou pickles para fazer estas doses individuais de gelatina. É prático para levar para o trabalho ou pôr na lancheira das crianças, de preferência numa lancheira térmica para que a gelatina se mantenha fresca e consistente.

Nota: a gelatina é uma fonte de proteína e uma boa forma de ingerir água, mas devemos optar por gelatinas com o mínimo teor de açúcar. Leia os rótulos das embalagens e compare os produtos antes de escolher o que vai levar para casa.




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Queijadas de grão e amêndoa



Fiz esta receita inspirada numa outra da talentosa Clara de Sousa: a Tarte de Grão, do livro "Clara de Sousa - A Minha Cozinha 2". Transformei a tarte em queijadas ou pequenos bolinhos, como lhe queiram chamar, porque me apetecia mais fazer doces individuais. Também juntei alguma amêndoa para enriquecer a receita e porque a amêndoa e os doces de grão casam bem. Substitui a massa folhada, que era sugerida para a tarte grande por massa philo, de forma a ter uma base muito fininha e crocante em cada queijada. Ficaram muitos boas. A minha avó e o meu marido foram as pessoas que mais gostaram, o que me deixa muito feliz. A minha tia também gostou muito, até levou algumas para congelar, mas acho que não o chegou a fazer, comeu-as antes ;)

Ingredientes para 12 queijadas:
50 gr de manteiga ou margarina derretida (usei Becel líquida)
200 gr de açúcar
4 ovos L
Raspa de 1 limão médio
250 gr de grão cozido
Açúcar em pó qb para polvilhar
Amêndoa laminada qb para finalizar (este foi o meu toque, pois a amêndoa não constava da receita original)
24 círculos de massa philo (na receita original: uma placa de massa folhada de compra para uma tarte grande)

Preparação:
Corte as folhas de massa philo, primeiro em quadrados e depois em círculos. Unte 12 formas de queques. Em cada forma coloque 2 folhas de massa philo. Reserve. Se seguíssemos a receita original colocaríamos a massa folhada na tarteira e picávamos o fundo com um garfo.
No liquidificador coloque o açúcar, a manteiga derretida, os ovos e a raspa do limão. Triture bem até desfazer os ovos. Junte o grão cozido e triture mais um pouco até desfazer o grão e envolver tudo bem. Verta este preparado nas formas já forradas com a massa philo. Leve ao forno pré aquecido a 180º C durante cerca de 15 minutos. No fim desse tempo, coloque a amêndoa laminada por cima da massa e volte a colocar no forno por mais 20 a 25 minutos ou até as queijadas estarem cozidas e alouradas (faça o teste do palito e verifique se o preparado, estando mole, já não está líquido, nesse momento as queijadas estão prontas).
Arrefeça as queijadas e polvilhe com açúcar em pó antes de servir.

Bom apetite!




terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bacalhau assado com broa de Avintes e migas




No início do verão fui a uma feira em Arruda dos Vinhos que tinha alguns produtos gastronómicos de grande qualidade. Numa das bancas comprei algo de que gosto mesmo muito e nem sempre é fácil de encontrar: broa de Avintes. Fiz uma receita simples, mas deliciosa, com a broa e também a comi gulosa e simplesmente com manteiga.
Agora, no fim de agosto, enquanto fazia umas pesquisas sobre a dita broa, descobri que há anualmente uma "Festa da Broa", que já vai na 28ª edição. Este ano acontece de 28 de agosto a 6 de setembro, na Quinta do Paço, na freguesia de Avintes, Porto. A programação conta com demonstrações culinárias, animação musical, entre outras atividades. E a broa vai ser a rainha da festa, claro! Não sei se vou conhecer esta festa, estou francamente a pensar nisso, de qualquer das formas fica a sugestão, principalmente para os que forem da zona norte do país. Vão até à "Festa da Broa" e deliciem-se com mais esta maravilha da gastronomia portuguesa.

Ingredientes para 2 pessoas
2 postas de bacalhau Riberalves pronto a cozinhar
3 fatias de broa de Avintes
1 molho de espinafres
250 gr de feijão branco cozido
3 dentes de alho
2 dl de azeite
1 colher de café de vinagre
Sal qb

Preparação:
Depois de ter as brasas e a grelha prontas, pincele as postas de bacalhau de ambos os lados com azeite. Coloque-as na grelha, primeiro com a pele virada para baixo. Com um raminho de salsa, vá borrifando as postas de bacalhau com azeite enquanto assam para que não sequem. Quando a espinha se soltar com facilidade, o bacalhau está pronto. Não asse demais para não ficar seco. 
Enquanto o bacalhau assa, prepare as migas. Coza previamente o feijão ou utilize um frasco de feijão branco cozido. Num pouco de azeite e um alho fatiado, salteie os espinafres até ficarem murchos. Tempere de sal, junte 1 fatia de broa de Avintes esfarelada e o feijão branco. Retifique de sal, junte uma colher de café de vinagre e misture tudo até obter umas migas consistentes.
Retire o bacalhau da grelha. Aqueça um pouco de azeite com dois alhos esmagados (não deixe ferver). Sirva cada posta de bacalhau em cima de uma fatia de broa, acompanhando com as migas bem quentes. Regue tudo com o azeite quente.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Crumble de pêssego e gengibre com gelado




Esta é uma receita do livro "Cozinhar para os Amigos", do Chef Gordon Ramsay... ou melhor, é inspirada nessa receita, pois fiz algumas alterações, uma das quais foi o retirar das framboesas, fazendo a sobremesa só com pêssego e gengibre. Depois de cozinharem no forno os pêssegos ativam uma certa acidez, mas a conjugação de todos os ingredientes é maravilhosa. Gordon Ramsay sugere que se sirva este crumble com gelado de baunilha ou gengibre. Por coincidência eu tinha feito gelado de gengibre e, de facto, fica uma combinação deliciosa. Esta sobremesa foi degustada entre familiares e amigos numa tarde quente de verão, passada entre banhos de piscina e banhos de sol na relva.

Ingredientes:
Recheio: manteiga para untar a assadeira, 8 pêssegos maduros mas firmes (cerca de 750 gr), 2 colheres de sopa de açúcar mascavado, 2 pedaços de gengibre em conserva finamente picados (usei gengibre cristalizado) 
Cobertura: 100 gr de farinha, uma pitada de sal fino, 80 gr de manteiga, 40 gr de flocos de aveia, 50 gr de açúcar mascavado, meia colher de chá de canela em pó, 50 gr de avelãs moídas.

Preparação:
Pré aqueça o forno a 190º. Unte uma assadeira redonda e reserve. Descasque os pêssegos, retire os caroços e parta-os em metades. Disponha a fruta uniformemente na assadeira e deite por cima o açúcar mascavado e os pedacinhos de gengibre. 
Para fazer a cobertura coloque a farinha e o sal numa tigela, adicione a manteiga em cubos. Amasse até obter uma textura de migalhas grandes. Junte os flocos de aveia e os restantes ingredientes e amasse tudo ligeiramente para ficar bem misturado. Espalhe o crumble por cima dos pêssegos numa camada uniforme e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até o crumble estar tostadinho.
RECEITA DO GELADO DE GENGIBRE PARA ACOMPANHAR:
http://paparocadeliciosa.blogspot.pt/2015/07/gelado-de-gengibre-e-baunilha.html

Bom apetite!



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Saltimbocca alla Romana... saudades de Itália



Saudades de Itália. Tenho sempre saudades de Itália. Não digo isto por ser uma afirmação que fica bem ou para dar um ar de pessoa viajada, digo porque é o que sinto. Gostava de ir a Itália todos os anos. Não vou, fico com saudades.
Tive a sorte e o privilégio de poder viajar em Portugal e no estrangeiro desde relativamente cedo e uma das primeiras idas ao estrangeiro foi, precisamente, a Itália. Amalfi, sul do país. Um torneio da equipa de basquetebol onde eu jogava na altura, tinha 15 anos. Umas férias de Páscoa fantásticas num local lindíssimo e que fez despertar em mim as primeiras "paixões italianas". Não foram paixões namoradeiras, porque nunca tive nenhum namorado italiano. Foram paixões pelo país, pelo mar verde esmeralda da Costa Amalfitana, pelas serras, pelas cores do casario, pela história do "país da bota", pelo património magnífico, pela língua doce e cantada e, claro está, pela comida!
A gastronomia italiana é maravilhosa. Não vive só de pasta e pizza, apesar destes serem os símbolos mais conhecidos à mesa de todo o mundo. Em Itália também se come bom peixe e marisco e pratos de carne simples, mas deliciosos. E gelados fantásticos, é verdade, não é mito urbano! 
Voltei a Itália poucos anos depois das tais férias de Páscoa, numa viagem com os meus pais por várias cidades do país. Depois houve um período de ausência minha mas, quando voltei... voltei com o amor da minha vida e isso é muito bom! Uma vez a Veneza, outra vez a Florença e Roma. Não sei dizer qual das cidades me fascina mais porque tudo me fascina em Itália. Penso que é o país mais bonito que já visitei, mas não tenho bem a certeza disto porque sou absolutamente deslumbrada com quase todos os locais que visito. Surpreendem-me, encantam-me. Serei fácil de contentar?... Até acho que não, porque sou uma pessoa bastante exigente. Simplesmente deixo-me seduzir pelo que é belo. E em Itália é tudo muito belo.
É com saudades e memórias de cheiros, cores e sabores, que hoje vos deixo esta receita de Saltimbocca alla Romana, um dos pratos preferidos do meu marido e que provámos pela primeira vez em Roma, na zona de Trastevere. Se forem à capital italiana não deixem de visitar este bairro, na margem ocidental do Tibre, come-se bem por lá e à noite é bastante animado. Já agora: o nome do prato vem do facto de ser tão bom que "até salta para a boca" :)

Ingredientes para 4 pessoas:
8 escalopes de vitela (usei vazia muito tenra e cortada bastante fina) 
12 fatias de presunto
16 folhas de salva
2 colheres de sopa de manteiga (usei manteiga de cabra da marca Palhais)
1 copo de vinho branco seco
Sal e pimenta qb
1 dente de alho (esta é a minha inovação na receita)

Preparação:
Se tiver dúvida em relação aos bifes, no caso de não serem escalopes de vitela, bata-os ligeiramente para os amaciar. Estenda os bifinhos numa superfície lisa e esfregue-os ligeiramente com um alho esmagado. A receita original não indica este procedimento, foi uma inovação minha e ficou bom. Não esfregue demais para o aroma do alho não se sobrepor ao dos restantes ingredientes. Tempere os escalopes com sal e pimenta preta moída na altura. Enrole uma fatia de presunto e duas folhas de salva em cada escalope com a carne ainda crua. Tenha em atenção a quantidade de sal, pois o presunto já é salgado. Depois de feitos os rolinhos, trespasse-os com um palito.
Numa frigideira anti aderente toste as restantes duas fatias de presunto cortadas em duas metades. Quando estiverem crocantes, retire e reserve. De imediato coloque a manteiga na mesma frigideira e doure aqui os escalopes. Depois retire-os e reserve em folha de alumínio. Acrescente o vinho branco e reduza o molho em lume médio. 
Sirva os escalopes bem quentes com o molho, o presunto crocante, folhas de salva e batata frita para acompanhar.

Bom apetite!


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Salmão curado e fumado com salada e molho de iogurte




Fumar alimentos, peixe em particular, era algo que me despertava curiosidade. Já tinha comido vários alimentos fumados, mas nunca tinha confecionado nenhum. Recentemente aprendi a técnica num workshop e vim logo para a cozinha pôr a receita em prática. Não se trata de um fumado convencional e vão perceber porquê quando lerem a receita. Se quiserem também podem fazer mesmo o "verdadeiro fumo", tal como explicado, mas desta forma mais simplificada fica bom e com bastante sabor, dado que o peixe é curado antes.

Ingredientes para 4 pessoas 

Para o salmão fumado:
4 a 8 lombos de salmão, conforme o seu tamanho
Açúcar e sal em quantidades iguais
Para o "fumo": 3 colheres de sopa de arroz, estrela de aniz, mistura de pimentas, 1 colher café de canela em pó, 1 colher café de oregãos secos, 1 colher de chá de chá verde ou outro, desde que sejam folhas secas, 1 colher de chá de açúcar mascavado. Pode usar aromas a gosto, desde que trabalhe com folhas e especiarias secas apenas e não frescas.

Para o molho de iogurte:
200 ml de iogurte natural magro batido
3 raminhos de oregãos frescos ou outra erva aromática a gosto bem picadinha
Sal e pimenta qb
1 fio de azeite

Para a salada: 400 gr de ervilhas, 4 cenouras, 8 folhas de alface, 400 gr de feijão verde

Preparação:
Entre 60 a 90 minutos antes da confeção do prato faça a cura do salmão. Se o peixe for congelado, deixe a descongelar no frigorífico, de véspera, e depois seque cada lombo com papel absorvente. Misture uma quantidade igual de sal e açúcar e deite este preparado sobre o peixe, de forma a que este fique todo coberto, como demonstrado na foto. O sal serve para salgar e curar e o açúcar serve para equilibrar. Deixe assim por uma hora e meia no máximo e depois lave o peixe debaixo da torneira. O sal vai retirar a humidade do peixe e, quando terminar a cura, o aspeto vai ser o que podem ver na foto, ou seja, parte da humidade saiu do peixe e este ganhou sabor e uma textura mais rija.
Assim que estiver neste estado, coloque o peixe na rede do wook. Antes disso prepare o wook: forre-o com duas folhas de alumínio, deite o arroz primeiro, pois este vai proteger as ervas secas e os outros ingredientes. Depois deite o açúcar e depois as especiarias e ervas. Coloque então o salmão na rede, tape bem o wook com a tampa e dobre as folhas de alumínio por cima para ficar totalmente fechado e ligue o lume no médio. Deixe o salmão fumar 5 a 10 minutos, conforme a altura dos lombos, até que a proteína branca comece a sair do peixe. Nesse momento está pronto, assim que vir o suco branco a começar a sair das lascas, retire. Se desejar fazer fumo mais "a sério", utilize raminhos secos e folhas de chá secas e deite-lhes o lume com um fósforo, tape de imediato e deixe assim uns 2 a 3 minutos. Neste caso não deve usar o açúcar nem as especiarias para não queimarem e deve deixar o peixe menos tempo, pois o sabor vai ser muito mais intenso.
Em relação à salada, comece por cozer em água e sal as ervilhas e as cenouras cortadas em pequenos cubos. Coza também o feijão verde e lave as folhas de alface, cortando-as posteriormente em juliana. Faça o molho de iogurte, misturando todos os ingredientes indicados e envolva nos legumes. Sirva com o salmão.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!





domingo, 9 de agosto de 2015

Pudinzinhos de laranja



Estou de férias, mas há sempre um tempinho para partilhar umas receitas e uma ideias simples, como esta: uma sobremesa de fácil confeção, que deve ser servida fresca, ideal para terminar uma refeição de verão. O meu marido adora este tipo de "doces amarelos", como ele diz, e há uns dias fiz-lhe o miminho. São uns pudizinhos ótimos, também podem ser feitos com aroma de limão ou baunilha. Espero que gostem! Boas férias para os que estão de férias e bom verão para todos :)

Ingredientes para 12 pudins:
0,5 l de leite meio gordo
3 ovos inteiros + 1 gema
275 gr de açúcar
Sumo e raspa de 1 laranja grande
1 colher de sopa bem cheia de farinha Maizena

Preparação:
Pré aqueça o forno a 190º. Unte 12 formas de queijadas/queques.
Raspa a casca da laranja e reserve. Esprema o sumo. Numa tigela deite 1 gema de ovo e um pouco do sumo da laranja. Nesta mistura desfaça a farinha maizena. Reserve.
Coloque no liquidificador ou copo misturador o leite, os 3 ovos inteiros, o açúcar, a raspa e restante sumo de laranja. Bata/triture tudo até ficar um líquido bem misturado. Junte a isto o preparado da maizena e emulsione durante mais 30 segundos..
Verta o preparado nas formas untadas e leve ao forno a 190º durante cerca de 40 minutos na prateleira superior para que os pudinzinhos fiquem tostadinhos. Desligue o forno e deixe os pudins lá dentro até arrefecerem. Por último, retire do forno e desenfome-os depois de totalmente arrefecidos. Sirva com mirtilos ou outros frutos vermelhos.

Bom apetite!


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Caldeirada de peixes

Caldeirada, ora aí está um prato que adoro e que não dispenso quando estou de férias em terra de bom peixe, como em Peniche ou no Algarve. Além de comer em alguns restaurantes onde sei que é bem feita, gosto de a fazer em casa, quando encontro peixe fresco e que me agrada para a caldeirada. Desta vez usei tamboril, safio, cação, raia, cantaril e camarão. A caldeirada tem apenas dois "truques" que são essenciais para que fique deliciosa: a frescura e qualidade dos peixes e o seu tempo de cozedura. O peixe não pode cozinhar demais para não ficar seco. A verdadeira caldeirada à fragateiro é feita cozinhando primeiro a cebolada e as batatas e só depois adicionando o peixe, pois este leva muito menos tempo a cozinhar. Desta forma o molho fica apurado e o peixe suculento, cada coisa com os seus tempos próprio. Também há receitas que indicam fatias de pão em vez de batata, como se fosse uma sopa de peixe.

Ingredientes para 4 pessoas:
2 cebolas bem grandes
600 g de batata de boa qualidade (que não se desfaça)
1 pimento verde e 1 pimento vermelho
6 tomates maduros
1,5 dl de azeite
2 kg de peixes variados para caldeirada (também pode juntar camarões e amêijoas)
1 malagueta de piripiri
4 dentes de alho
1 raminho de salsa 
Sal e pimenta qb

Preparação:
Deite um fio de azeite no fundo de um tacho largo. Descasque a cebola, corte-as em rodelas finas e espalhe-as sobre o fundo do tacho. Pele as batatas, corte em rodelas e coloque por cima das cebolas. Lave e corte o pimento em tiras tendo o cuidado de o limpar de todas as sementes e peles brancas. Espalhe as tiras de pimento sobre as batatas. Lave o tomate, corte-o em bocados e disponha-o sobre os restantes legumes. Regue com o restante azeite, tempere tudo com sal, tape o tacho e leve a cozinhar sobre lume brando. Com o tacho tapado, agite de vez em quando.
Entretanto tempere os peixes com sal. Se o tamboril ou o cação tiverem fígados, aproveite-os também, pois dá sabor. Passados cerca de 10 a 15 minutos das batatas estarem ao lume, sem que estas estejam totalmente cozidas, junte-lhes os peixes e mariscos, se for o caso, o ramo de salsa e a malagueta de piripiri esfarelada. Tempere com um pouco de pimenta moída na altura. Tape de novo o tacho e deixe cozinhar sobre lume brando aproximadamente mais 10 minutos para cozer o peixe. Agite o tacho de vez em quando e, quase no final da cozedura prove para verificar se há necessidade de rectificar o tempero. Depois de apagar o lume, sirva bem quente.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!


sábado, 1 de agosto de 2015

Sapateira recheada



Antes de mais, uma declaração de intenções: sou LOUCA por marisco e sapateira é dos meus mariscos preferidos. Porque tem a carne branca e suculenta e ainda aquele recheio maravilhoso, feito com as entranhas (ah, pois é, são as entranhas do bicho!). Eu adoro aquilo barrado em cima de pão caseiro torrado e ensopado em manteiga. Pronto, já engordei um quilo só de escrever isto com tanta satisfação... Mas não faz mal, a sapateira e as mariscadas em geral valem pelo bem que sabem, pelos momentos de convívio que proporcionam à mesa e porque afinal, o marisco não é assim tão calórico, o que comemos a acompanhar (pão, cerveja, vinho...) é que é o pior. E a sapateira, se for comprada viva, também não é dos mariscos mais caros.
O que interessa é que tudo isto sabe bem e é verão e apetece-nos de vez em quando!! Porque não fazer o gosto ao dente? ;)

Ingredientes:
1 sapateira
Pickles a gosto
Maionese qb
Sal qb
2 colheres de sopa de cerveja

Preparação:
Primeiro que tudo tente escolher uma sapateira pesada (compare várias do mesmo tamanho e traga a mais pesada, fazendo figas para que o peso corresponda a recheio e não a água, que muitas vezes entra para dentro da carapaça). Normalmente escolhem-se as fêmeas, mas não significa que estejam sempre ovadas só por serem fêmeas. Sou sincera que até prefiro que não estejam muito, pois gosto mais do sabor do resto do que das ovas propriamente ditas. Mas com as ovas também é bom, fica o recheio mais cor de salmão.
Coloque cerca de 2,5 litros de água numa panela larga e 3 mãos cheias de sal grosso. Quando estiver a ferver, introduza a sapateira viva e deixe cozer por 13 minutos para uma sapateira com cerca de 800 gr. Se for uma sapateira até 1200 gr deixe cozer 15 - 16 minutos. Se for uma sapateira muito grande, com quilo e meio ou mais, deixe ficar 20 minutos em água a ferver. O marisco nunca deve ser cozido demais, por fica seco e perde a suculência.
Depois de cozer a sapateira, retire da panela e arrefeça-a em gelo para parar a cozedura. Depois separe as patas, abra a carapaça e retire todas as entranhas para as aproveitar para o recheio, com exceção dos pulmões que não se comem. Não tirei fotografia, esqueci-me, mas os pulmões são aquelas partes cinzentas com uma textura que parece um tecido grosso, existem de ambos os lados da zona interior da carapaça. Desfaça todas as entranhas com um garfo, em cima de uma tábua.
Pique pickles a gosto na picadora com um pouco de maionese e junte ao preparado de sapateira. Há quem goste de juntar ovo cozido, coentros, salsa, mostarda, etc, não digo que não fique bom, mas eu gosto que o recheio da sapateira saiba a mar e a marisco e não a outras coisas, por isso gosto dele quase ao natural.
Junte os pickles, a maionese, o recheio da sapateira e um pouco de cerveja (apenas 1 a 3 colheres de sopa só para dar sabor). Se achar que o recheio está muito sólido, junte um pouco da água de cozer a sapateira. Retifique de sal. Misture tudo bem e encha a carapaça da sapateira com este preparado. 
Sirva juntamente com as pinças e patas mais pequenas e pão torrado. Não se esqueça do vinho verde ;)

Nota: existe a técnica de matar previamente a sapateira com vinagre. Eu já experimentei e francamente... acho que o animal ainda sofre mais porque demora muito a morrer. Se a introduzirmos na água ela morre mais rapidamente. Confecionar marisco tem destas coisas, não é tarefa muito agradável mas, ou se come ou não se come, e eu gosto de comer, não sou vegetariana, por isso tenho mesmo que tratar de confecionar a bicharada antes de me deliciar com ela.

Bom apetite!