sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Bolo de café e amêndoas


Esta noite de Halloween vai ser comemorada cá por casa com um jantar de petiscos outonais e um bolo assustadoramente bom!! A receita é do livro do Chef Gordon Ramsay, "Cozinhar para os Amigos", e as decorações são simples gomas onde desenhei (na parte de trás) os olhos e bocas com uma caneta de tinta comestível de chocolate. Desta forma transformei ovos estrelados em fantasminhas ;) Se não tiverem destas canetas (ver foto), podem desenhar com um bocadinho de chocolate derretido ou com topping de chocolate daquele que se vende em qualquer supermercado.
Tenham uma noite das bruxas assustadora e muito deliciosa. E, já agora, um excelente fim de semana para todos!

Ingredientes:
170 gr de manteiga sem sal
170 gr de açúcar
3 ovos grandes
Meia colher de chá de essência de amêndoa (usei aroma de amêndoa, vende-se em qualquer supermercado)
100 gr de amêndoa moída
100 gr de farinha com fermento
4 colheres de sopa de café expresso frio
Meia colher de chá de fermento em pó
Açúcar em pó para polvilhar
 

Preparação:
Pré aqueça o forno a 160ºC. Numa tijela bata a manteiga com o açúcar com batedeira elétrica até obter uma mistura leve e fofa. Acrescente os ovos, um a um, e vá incorpando bem. Quando estiver bem incorporado, bata com a batedeira elétrica por 2 minutos numa velocodade média/alta. Depois junte a essência de amêndoa e misture bem. Incorpore as amêndoas moídas e 2 colheres de café. Peneire a farinha e o fermento em pó e incorpore-os na massa. Finalmente adicione o restante café e misture. Não bata demais a massa nesta altura para a farinha não a tornar rija.
Unte uma forma redonda de fundo amovível e deite lá a massa. Leve ao forno 50 minutos (faça o teste do palito para ver se o bolo está cozido).
Depois de arrefecer ligeiramente desenforme, removendo a parte amovível da forma.
Polvilhe com açúcar em pó e sirva. É um bolo muito saboroso para acompanhar café ou chá.
NOTA: este bolo não ficou muito alto porque fiz numa forma de 26 cm e a receita indicava fazer numa de 20 cm.







quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Os meus ovos em cocotte



Os ovos em cocotte, ou seja, na caçarola, são um clássico francês e, como tudo o que é francês, são muito coquete (além de serem em cocotte...). São ovos feitos no forno, numa pequena taça, caçarola ou ramequim (cocotte). A versão tradicional é feita com ovos e natas, mas há imensas variantes, tantas quantos os ingredientes que tivermos à mão ou as conjugações que a nossa imaginação ditar. No final, o importante é conseguirmos uns ovos deliciosos e suculentos, que podem ser servidos num pequeno almoço, num petisco ou como entrada de uma refeição. Eu fiz estes à minha maneira, com uma "forma" de pão a envolvê-los e a conjugação de ingredientes que mais me agradou. Deixo-vos algumas fotos do "passo a passo" desta preparação. Espero que gostem.

Ingredientes por pessoa:
1 ovo
2 fatias de pão de forma sem côdea
2 fatias finas de bacon
Lascas de queijo da ilha qb (1 colher de sopa)
2 colheres de sopa cheias de espargos salteados em pedaços
Sal e pimenta qb
Azeite qb
1 alho 

Preparação:
Unte as formas com azeite. Forre-as com as fatias de pão de forma. Salteie os espargos (cortados em pedaços e depois de arranjados) em azeite e alho por 4 minutos. Depois de prontos, coloque 2 colheres de sopa de espargos em cada taça, por cima do pão. Por cima dos espargos deite as lascas de queijo da ilha e uma fatia de bacon muito fina. Finalmente adicione o ovo com cuidado para não se desmanchar. Tempere o ovo com uma pitada de sal e outra de pimenta.
Coloque as formas num tabuleiro com um pouco de água e leve ao forno, em banho maria, a 200º por 10 a 15 minutos, até verificar que a clara está cozinhada. Retire, polvilhe com um pouco de mistura de ervas finas e sirva.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!









domingo, 26 de outubro de 2014

Flores de abóbora recheadas com queijo de cabra


Esta entrada é uma forma saborosa e útil de aproveitar as flores de abóbora ou courgette. Quem tem horta, pode apanhar as flores e confecioná-las de algumas formas imaginativas. Apanhe apenas as que estejam viçosas, mais ou menos abertas, mas que não estejam murchas. Estas flores são comestíveis e fazem pratos lindos. Cozinham muito rapidamente, pois são muito sensíveis e nem precisam de sal quando misturadas com outros sabores. Estas foram as últimas que apanhei este ano na horta dos meus pais. Para o ano há mais. Chegámos ao outono e agora temos abóboras, mas as flores já são poucas...
Ingredientes:
Flores de abóbora (ou courgete)
Queijo de cabra (usei chévre "Palhais")
Nozes em pedacinhos
Alho e azeite para saltear
Molho pesto (neste caso usei de compra, mas podem fazê-lo com nozes e manjericão, por exemplo)

Não indico quantidades porque isso depende das flores que tenham para cozinhar. O queijo é o necessário para rechear as flores e os restantes ingredientes são na quantidade suficiente para fazer o cozinhado.

Preparação:
Passe as flores por água apenas para retirar o pó e seque com papel absorvente. Retire a parte de dentro, da estame, muito cuidadosamente para não romper as folhas da flor. Recheie cada flor com pedaços de queijo esfarelado com as mãos. Numa frigideira deite o azeite. Deixe aquecer e depois junte o alho picado e as flores. Saltei-as cerca de 2 minutos de cada lado com cuidado. Não junte sal, não é necessário, pois já temos o sabor muito intenso do queijo e do alho.
No prato onde vai servir deite um pouco de molho pesto. Por cima disponha as flores recheadas e já salteadas e termine com nozes em pedacinhos.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!








sábado, 25 de outubro de 2014

Perninhas de frango na frigideira com migas de espargos e cogumelos


Esta é uma refeição com um ingrediente simples e barato, que é o frango, mas que fica muito valorizada pelo acompanhamento: umas migas de espargos e cogumelos. A influência desta receita é, obviamente, alentejana, zona do país com excelente gastronomia e utilização muito imaginativa do pão e de outros ingredientes simples que ganham contornos de iguaria quando preparados da forma certa.

Ingredientes para 2 pessoas:
4 a 6 perninhas de frango
Sal, pimenta, alho aromático e coentros frescos qb
0,5 dl de vinho do Porto para o molho
Tomates maduros para guarnecer

Para as migas: 1 molho de espargos (os molhos normalmente vendidos nos supermercados), 150 gr de cogumelos laminados, 3 fatias de pão de véspera, 2 ovos, sal e pimenta qb

Preparação:
Tempere as coxas de frango com azeite, sal, pimenta, alho aromático fresco picado e coentros frescos. Misture bem e deixe marinar 20 minutos. Depois frite numa frigideira anti aderente de forma a que a pele fique tostada e o frango quase cozinhado. Pode fazer tudo na frigideira ou terminar no forno por 10 a 15 minutos para acabar de cozinhar, que foi o que fiz. Coloquei a carne num tabuleiro de forno, reguei com mais um pouco de azeite e o vinho do Porto e levei ao forno a 210ºC. Acrescentei um tomate que assou no forno, temperado apenas com umas pedras de sal grosso.

Para as migas: arranje os espargos e corte-os em pedaços pequenos. Tempere os espargos e os cogumelos com sal e pimenta e saltei-os em azeite e alho picadinho. Deixe cozinhar cerca de 7 minutos. Depois junte o pão esfarelado aos legumes. Eu retirei a côdea ao pão e adicionei só o miolo. Com a humidade dos legumes o pão vai amolecer rapidamente. Mexa bem e deixe cozinhar uns poucos minutos. Retifique de sal. Por fim bata ligeiramente os ovos e junte-os aos restantes ingredientes. Mexa um pouco para envolver e desligue o lume. Os ovos devem ficar cremosos e bem envolvidos nas migas. Depois de desligar o lume ainda secam um pouco, por isso tenham em atenção não os deixar cozinhar demais. Os ovos servem para dar cremosidade e consistência às migas e para unir tudo. Sirva com as pernas de frango e o tomate assado.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!








sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Lombos de bacalhau com roti de batata e couve coração

Dei este nome a esta receita, mas podia ter dado outro: "Bacalhau com batatas e couves". No fundo, é disso que se trata, do bacalhau e das suas companheiras, só que confecionado de forma diferente. É a prova de que os pratos mais tradicionais do nosso "fiel amigo" não têm que ser sempre iguais ;)

Ingredientes para 4 pessoas:
4 lombos de bacalhau
800 gr de batata
1 couve coração inteira
2 colheres de sopa cheias de tomate seco em tirinhas
4 dentes de alho
1 dl de azeite
Sal e pimenta qb
1 colher de sopa de mistura de ervas finas (usei da Margão)

Preparação:
Depois de ter o bacalhau demolhado, enxugue-o com papel absorvente. Use lombos para fazer esta receita (pode usar as postas mais altas e cortar as partes da barriga, reservando-as para outras aplicações). Numa frigideira anti aderente deite um terço do azeite e 3 dentes de alho esmagados. Esfregue os alhos na frigideira para libertarem sabor e aroma. Quando o azeite estiver quente, coloque o bacalhau na frigideira com a pele para baixo e deixe fritar cerca de 5 a 7 minutos. Reduza um pouco o lume se necessário para não queimar, mas deixe a pele ficar bem tostada. Depois vire os lombos, reduza o lume um pouco (médio alto) e deixe cozinhar do outro lado enquanto vai regando os lombos de bacalhau com o azeite. Deixe cozinhar por mais uns 5 minutos ou até ver que o bacalhau está a lascar e a ficar cozinhado (conforme a altura do lombo).
Ao mesmo tempo, numa frigideira deite outro terço do azeite e as batatas raladas em fios na mandolina (fios grossos, como se fosse batata palha larga - ver foto). Tempere com sal e pimenta moída na altura e deixe as batatas cozinhar. Vá mexendo. Quando as batatas começarem a mudar de cor e a ficar cozinhadas, comece a formar uma espécie de panquecas. Ou seja, comece a calcar para as batatas tomarem o formato redondo da frigideira e ficarem bem tostadas. Quando estiverem tostadas de um lado, vire a panqueca com a ajuda de uma espátula e deixe tostar do outro lado (cerca de 4 minutos de cada lado, mas convém verificar). Pode começar por cozinhar as batatas numa frigideira grande e depois fazer as panquecas em doses individuais em frigideiras mais pequenas (as de estrelar ovos). Ou então faça uma panqueca grande que depois será dividida por todos os pratos.
Por fim, corte a couve em juliana fina e salteie por 10 minutos numa frigideira com e azeite 1 alho muito picadinho. Tempere a couve com sal, pimenta e as ervas aromáticas, misture tudo e deixe cozinhar os 10 minutos ou até a couve estar macia.
Num prato de servir coloque o roti ou panqueca de batata, os lombos de bacalhau por cima e a couve em redor. Guarneça com tirinhas de tomate seco e termine com um fio de azeite.

Bom apetite! Comma bem e de forma saudável!





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Pana Cotta de lima com ganache de chocolate e manga seca


Esta sobremesa é muito fresca e "poderosa" ao mesmo tempo. A mistura dos aromas do chocolate negro e da lima faz um bom contraste e torna este doce numa explosão de sabores na boca. O chocolate pode ser aromatizado com picante, o que torna a sobremesa ainda mais explosiva, mas um pouco imprópria para crianças. É uma sobremesa de adultos, ácida e doce, forte e consistente, mas que mantém a subtileza e a frescura da lima. Sirvam bem geladinho e desfrutem, pois é aquele tipo de doce... pecaminoso mesmo ;)

Para a pana cotta de lima:
Sumo de 2 limas
400 ml de nata de soja
250 ml de leite
80 gr de açúcar
6 folhas de gelatina incolor

Para a ganache de chocolate:
1 pacote de natas frescas (200 ml)
200 gr de chocolate de leite para culinária
150 gr de chocolate negro para culinária (70% cacau)
1 colher de sopa bem cheia de manga seca cortada em pedacinhos (Isto é opcional, mas fica agradável encontrar pedaços na ganache. Eu optei pela manga seca, mas podem escolher outro sabor, como cascas de lima ou laranja cristalizadas, por exemplo) 

Para guarnecer: 1 lima em rodelas, raspa de 1 lima

Preparação:
Comece por preparar a ganache deitando os dois chocolates partidos em pedaços pequenos numa taça. Ferva as natas e deite-as por cima do chocolate. Com o calor das natas o chocolate vai derreter e obtemos uma mistura brilhante e uniforme (ver foto). Mexa até estar tudo bem envolvido e, neste momento, junte a manga seca cortada em pedacinhos. Misture tudo bem e distribua este preparado por 8 taças ou copos (devem ser os recipientes definitivos em que vai servir). Leve ao frigorífico para a ganache solidificar. Vai ficar com uma textura densa, quase como se fosse chocolate em tablete (mais macio, mas com consistência).
Entretanto prepare a pana cotta de lima. Deite a nata de soja, leite e açúcar num tacho e deixe ferver. Deixe as 6 folhas de gelatina a amolecer/hidratar em água. Assim que o leite tiver fervido e o lume estiver desligado, deite a gelatina já humedecida e escorrida na mistura de leites. Misture tudo muito bem e junte o sumo de lima quando o preparado estiver um pouco arrefecido para a mistura não talhar.
Retire do frio as taças com a ganache e deite por cima este preparado de lima, distribuindo-o em partes iguais pelas 8 taças. Leve ao frio para solidificar completamente e, no momento de servir, decore cada taça com raspas de lima e uma rodela do fruto.

Nota: As quantidades apresentadas rendem 8 taças de sobremesa se servirem em taças um pouco mais pequenas em relação ao que eu fiz. Eu servi nuns copos altos, mas coloquei demasiada quantidade em cada um e só rendeu 5 unidades. Aconselho a que dividam melhor e façam render 8 taças porque a sobremesa é bastante forte e uma quantidade grande pode tornar-se demasiado. Cada taça deve ter apenas uma camada de chocolate no fundo e mais quantidade de pana cotta de lima por cima.




segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Filetes de polvo com o seu arroz


Este filetes foram a estrela de um dos pratos que fiz com os maravilhosos polvos que trouxe de Peniche na madrugada em que fui acompanhar a captura do polvo. Nessa experiência contei com a ajuda dos pescadores do Barco Completo e da Patrícia Borges, Chef residente da Docapesca e professora na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, em Peniche, que revelou as suas dicas e truques para deixar o polvo tenro e macio, cozido na perfeição.

Partilho convosco essas ideias:

- O polvo deve ser congelado, no minímo, 24 horas, mas se for durante mais tempo é preferível. A congelação amacia o polvo. Se o polvo não for congelado coze na mesma, mas leva mais tempo
- A Chef Patrícia referiu que tanto podemos cozer polvo na panela de pressão (15 a 25 minutos conforme o tamanho do polvo), como num tacho normal, que é como eu faço. Nesse caso, fica a cozer até estar tenro. Ao fim de 40 minutos espete com a ponta de uma faca e vá repetindo o procedimento até verificar que está tenro. É tão simples quanto isto.
- O polvo deve ser cozido com pouca água sem sal (este aspeto é muito importante!). O sal pode enrijar o polvo e não há necessidade de adicionar sal porque este alimento já é salgado por natureza. O sal só será adicionado depois na confeção (no arroz, filetes, salada, etc)
- Também há quem retire o "olhinho" do polvo para que a água circule no seu interior e coza melhor. Mas, no fundo, não são necessários grandes truques para cozer o polvo. Eu limito-me a congelá-lo e cozê-lo até estar tenro e fica sempre bem.

Também é interessante referir que o polvo da costa portuguesa é mais saboroso (pode mesmo dizer-se mais salgado) e tem uma cor mais intensa do que o polvo estrangeiro que tantas vezes se encontra à venda. Podem distinguir pela cor, o nosso polvo tem uma cor quase de vinho tinto, um roxo mais intenso, enquanto o polvo estrangeiro é mais esbranquiçado, apresentando um rosado mais claro.
Há que dizer que adoro polvo de todas as maneiras e em filetes é maravilhoso, pois estes podem ser acompanhados com vários tipos de arroz, incluindo o arroz do próprio polvo. É o caso da receita que se segue. 

Ingredientes para 4 pessoas:
1,800 kg de polvo da nossa costa (esta quantidade serve para os filetes e para o arroz, há que ter em atenção que o polvo encolhe sempre um pouco), sumo de limão, óleo para fritar.
Para o polme dos filetes: 2 ovos, 100 gr de farinha de trigo (ou de milho se quiserem os filetes mais amarelinhos), 0,5 dl de vinho branco, sal e pimenta qb, 1 colher de sopa de salsa picada muito finamente, 1 dente de alho picado muito finamente (esmagado quase em puré).
Para o arroz: água da cozedura do polvo, 3 colheres de sopa de azeite, 1 cebola grande, 2 chávenas de chá de arroz carolino, 4 tomates chucha ou de cacho bem maduros, 2 dentes de alho, 1 folha de louro, 2 colheres de sopa de coentros picados.

Preparação:
Coza o polvo ou polvos até estarem tenros. Nesta receita usei dois porque eram pequenos. Depois de arrefecidos, separe os tentáculos para os filetes e reserve alguns mais pequenos, bem como a cabeça para fazer o arroz. Os polvos que usei não eram muito grandes, se for o caso, pode cortar ao meio cada tentáculo no sentido do comprimento para que os filetes não fiquem muito grossos. Tempere os tentáculos com sumo de limão. Gosto de temperar antes de fritar para depois não amolecer os filetes.
Faça o polme misturando todos os ingredientes indicados numa tigela. Passe os tentáculos por este polme e frite em óleo quente. Escorra em papel absorvente.
Com a água da cozedura do polvo prepare o arroz. Num tacho deite o azeite, cebola e alho picados e folha de louro. Refogue ligeiramente e junte os tomates maduros cortados em pedaços bem pequenos, deixe refogar e cozinhar durante 6 minutos em lume médio. Depois junte 3 a 4 chávenas da água de cozer o polvo. A quantidade exata tem a ver com o seu gosto e com a forma como decorre a cozedura. O objetivo é obter um arroz malandrinho. Deixe a água ferver e depois junte o arroz e deixe cozer por 18 minutos. O objetivo é obter um arroz com um caldo grosso para ficar no ponto do "arroz malandrinho". Nos últimos 3 minutos de cozedura do arroz junte os pedaços de polvo que reservou e sobraram dos filetes. Quando o arroz estiver pronto retire do lume e junte os coentros picados. Reserve uns dois minutos e depois sirva com os filetes e salada verde.

Bom apetite! Comam bem e de forma saudável!






domingo, 19 de outubro de 2014

Um ano de blog e de aventuras culinárias


O blog Deliciosa Paparoca faz hoje um ano :) No dia do primeiro aniversário, só poderia publicar algo cheio de amizade e amor, pois é por gostar de partilhar com os amigos que faço este registo das minhas experiências e aventuras culinárias.
Este verão embarquei numa dessas aventuras. Embarquei literalmente, pois fui num barco de pesca à captura do polvo durante toda uma madrugada e manhã a meio do mês de julho. No barco da família Completo, uma família de pescadores de Peniche, embarquei por volta das duas da madrugada cheia de vontade de gozar todos os minutos de uma atividade que nunca tinha acompanhado tão de perto. A família de três irmãos e um primo, liderada pelo Mestre Álvaro Completo, foram de uma simpatia e de uma generosidade fora de série. Eu não esperava outra coisa destas pessoas, mas talvez tenham conseguido superar as minhas expetativas na forma como foram imensamente acolhedores. O amigo Tó Zé Correia, presidente da Câmara de Peniche, embarcou connosco e, todos juntos, passámos várias horas num excelente ambiente de conversa e convívio. Durante a noite houve quem dormisse descontraidamente, houve quem enjoasse (não fui eu ;)), tudo enquanto os homens do mar faziam o seu trabalho duro e perigoso, mais perigoso do que possamos imaginar.
Eu não preguei olho toda a noite. Quis aproveitar todos os momentos, observar todos os detalhes da arte da captura do polvo, fazer todas as perguntas e receber todas as respostas possíveis daqueles homens que andam há décadas no mar. Saímos de Peniche e navegámos até à zona da Praia da Areia Branca. Andámos sempre por perto e foi uma noite em que se apanhou polvo e mais o que veio... alguns safios grandes, alguns peixes pequenos, alguns polvos tão pequenos que foram imediatamente devolvidos ao mar. Nem todas as noites rendem o esperado e o polvo às vezes esconde-se e "foge" para outros locais. Nunca se sabe se cada madrugada vai ser proveitosa ou não e esta é uma das maiores dificuldades da faina da pesca, em particular a da captura do polvo, que é sempre feita de madrugada (quando os polvos estão recolhidos e são apanhados nas armadilhas).
Voltando à experiência humana que esta aventura significou para mim, é impressionante como pessoas que se conhecem pela primeira vez podem ganhar uma empatia e complicidade tão grande. Talvez por terem sido momentos diferentes, únicos, talvez por termos estado juntos toda a noite no meio do mar, só com o negro da noite e o brilho das estrelas por cima de nós a observarem o trabalho da faina da pesca.
Desta aventura trouxe amigos, trouxe memórias de um fantástico almoço de arroz de polvo, feito já em terra e partilhado na companhia das famílias dos pescadores, trouxe todos os truques e dicas de como confecionar o magnífico polvo da nossa costa e trouxe... polvos, pois claro! Já fiz alguns pratos com eles, uns já aqui partilhados, outros ainda por partilhar, como estes filetes de polvo com o seu arroz. Fiquem com uma foto para abrir o apetite ;)
Um grande bem haja aos amigos de Peniche que me receberam tão bem neste dia e a todos os que me recebem tão bem em tantos outros dias, há tantos anos e tantas vezes em torno de paparocas tão deliciosas. Estas pessoas, esta terra e este mar são uma enorme inspiração para mim e para os meus sonhos gastronómicos, uns concretizados, outros por concretizar, outros certamente por nascer.
Beijinho a todos e bom apetite! 








sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Bolo de farinha de mandicoca com laranja


O tempo tem estado mesmo outonal por estes dias. E tempo de outono pede pratos aconchegantes e comida de conforto, daquela comidinha que é mesmo boa apreciada em casa na companhia dos amigos. Esta vontade de estar com os amigos e de comer algo quentinho, levou-me a abrir a "época das castanhas". Fizemos cá em casa o chamado "lanche ajantarado" com castanhas, batata doce, compotas, queijos e carne assada no forno. Para sobremesa fiz este bolo, que é muito simples e muito bom. Acompanha bem com uma chávena de chá ou como remate de uma refeição assim... aconchegante.

Ingredientes:
5 claras de ovo + 1 colher de chá de fermento em pó
150 gr de açúcar
200 gr de farinha de mandioca
100 ml de leite
50 gr de margarina líquida ou amolecida
Raspa da casca de 2 laranjas
Sumo de 1 laranja

Preparação:
Misture a farinha de mandioca e o açúcar. Junte a margarina amolecida (ou da margarina líquida para cozinhar, que foi a que usei) e mexa bem. Vá juntando o leite aos poucos e envolvendo sempre de forma a obter uma pasta consistente. Junte a raspa das duas laranjas. À parte bata as claras em castelo e junte-lhes o fermento. Envolva suavemente no preparado anterior. Deite a massa numa forma com buraco previamente untada e leve o bolo a cozer a 200ºC durante cerca de 30 minutos ou até o palito sair seco quando fizer o "teste do palito". Retire do forno e, com o bolo ainda morno, deite por cima o sumo da laranja de forma a cobrir toda a superfície do bolo.
A farinha de mandioca é pesada e pouco refinada mas, com o efeito das claras em castelo firme, este bolo fica muito macio. Não fica muito alto, mas fica fofo e muito macio. O aroma da laranja dá-lhe o toque especial e realça o doce. Espero que gostem ;)

Bom apetite!



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Zabaione de espumante com pêras caramelizadas



Pois é... esta minha paixão pela gastronomia italiana é qualquer coisa! E não é só pela gastronomia... Adoro as paisagens, adoro as praias, adoro a história, adoro as cidades, adoro a língua, adoro os mercados, adoro os museus, adoro as pessoas. Acho que tudo em Itália é lindo! Já lá fui várias vezes e foram poucas. São sempre poucas porque fica sempre algo por descobrir e, se ficou descoberto, fico cheia de saudades de voltar ainda antes de vir embora...
Zabaione é um doce italiano à base de gemas, açúcar e uma bebida alcoolica que normalmente acompanha com fruta. Tradicionalmente era feito e comido pela manhã por ser muito nutritivo. Um pouco como as gemadas. Entretanto já li sobre zabaiones salgados. Nunca comi, mas estou tentada a experimentar. Para já deixo-vos a receita deste, que é bem docinho e fez as delícias do meu marido no fim de uma semana de trabalho muito cansativa.
Ingredientes:
6 pêras rocha (use pêras que não estejam demasiado maduras para não se desfazerem)
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de açúcar mascavado
2 dl de espumante meio seco
5 gemas de ovo
5 colheres de sopa de açúcar branco
12 meias nozes pecã

Preparação:
Comece por escalfar as pêras no espumante. Coloque as pêras descascadas e o espumante num tacho e leve ao lume. Deixe ferver por15 minutos ou até ver que as pêras estão meias cozidas. Retire as pêras do líquido e reserve. Numa tigela de vidro coloque as 5 gemas, o açúcar branco e o espumante de cozer as pêras (deixe arrefecer ligeiramente antes - deve render 10 colheres de sopa de líquido). Misture tudo bem com as varas de arame e coloque a tigela em cima de um tacho com água. Em banho maria vá sempre mexendo a mistura sem nunca a deixar ferver. Vai levar algum tmepo até que fique no ponto, mas nunca deve deixar ferver. O líquido vai começar a formar espuma. Continue sempre a mexer e espuma vai aumentando e o líquido da "gemada" vai ficando no fundo da tigela. O objetivo é tornar toda a mistura (inicialmente líquida) num creme espumoso que depois se vai transformando e obterndo uma consistência de mousse. Para obter o zabaione perfeito tem que ter alguma paciência e nunca parar de mexer com a vara de arames, sempre em banho maria. Quando estiver pronto (sem vestígios de gema líquida), retire do lume e deixe arrefecer. 
Entretanto deite numa frigideira anti aderente ou num tacho a manteiga e o açúcar mascavado. Junte as pêras e deixe-as caramelizar cerca de 8 minutos. Vá virando as pêras para caramelizarem uniformemente. Faça isto em lume médio. Quando estiverem prontas, coloque-as num prato, deite algum caramelo por cima e o creme zabaione. Termine o empratamento com umas nozes envolvidas no caramelo das pêras. Sirva à temperatua ambiente ou ligeiramente fresco.

Dicas: 
- o zabaione também é bom com morangos, pessegos ou manga
- pode aromatizar o zabaione de várias formas, com baunilha por exemplo
- as proporções do creme zabaione são sempre de uma colher de sopa de açúcar e duas de bebida alcoolica (vinho branco, do Porto ou espumante) para cada gema
- para as pêras se aguetarem "de pé" no prato, quando as descascar deve cortar um pouco do fundo da pêra para que fique plana e se aguente na vertical

Bom apetite!


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Hamburgueres mistos com farinheira e ervas aromáticas


Não sou muito de hamburgueres, tenho que confessar, por isso quando os como tem que ser mesmo alguma coisa boa e que valha muito a pena ;)
Já aqui tinha publicado uma receita de hamburgueres de salmão, que ficaram deliciosos, podem ver AQUI. Hoje fiz hamburgueres de carne mistos, inspirando-me no último programa Chefs Academy e no trabalho do Chef Kiko, que é perito com hamburgueres. A propósito, o restaurante dele, "O Talho", até ganhou recentemente um prémio de um dos melhores hamburgueres do mundo. No facebook até podem encontrar a receita e experimentar afzer em casa. Quanto a mim, tenho que ir lá provar essa iguaria!

Ingredientes para 7 hamburgueres
1 quilo de carne piacada mista (bovino e porco)
1 farinheira de boa qualidade
1 cebola média/grande
Sal e pimenta qb
1 raminho de salsa picada (3 colheres de sopa bem cheias)
1 colher de sopa cheia de alho aromático bem picadinho (ou outra erva aromática a gosto)

Preparação:
Numa tigela deite as carnes picadas e a farinheira desfeita com as mãos (depois de retirada a pele). Junte a cebola picada, bem como a salsa. Tempere com sal e pimenta. Misture tudo muito bem e amasse com as mãos ou com uma colher de pau, mas eu acho mais divertido com as mãos ;)
Depois molde bolas com cerca de 200 gr e achate-as até fazer a forma de hamburgueres. Pode fazê-los mais pequenos, mas assim generosos ficam muito bons e suculentos. 
Frite numa frigideira anti aderente apenas com um fio de azeite. Deixe corar e tostar bem de um lado e de outro por cerca de 10 a 12 minutos no total. A gordura da farinheira vai derreter e caramelizar ligeiramente o hamburguer, fica uma maravilha. Servi este hamburguer com arroz cremoso de legumes e uma colher de queijo creme magro batido para refrescar o prato.
Se pretender congelá-los, que foi o que eu fiz a alguns, use saquinhos de congelação pequenos e congele individualmente cada hamburguer para não se colarem.
 
Bom apetite!





domingo, 5 de outubro de 2014

Pão de ló com creme de ovos e amêndoa


Surgiu-me a ideia desta receita para aproveitar meio pão de ló, daqueles fofinhos, feito pela minha mãe. Naquele dia não se tinha comido tudo e até congelámos metade do bolo. Não é que não estivesse bom, que estava, mas às vezes a comida é muita e quando sobra algo que possa ser congelado mantendo as caraterísticas dos alimentos, eu faço isso para não desperdiçar nada. Uns dias depois apeteceu-nos outra vez um docinho e, para não comermos uma sobremesa exatamente igual, resolvi fazer um creme de ovos e amêndoa para guarnecer o bolo. Inspirei-me nas receitas do tradicional doce conventual alentejano "Sopa Dourada", mas esta sobremesa não leva pão, mas sim o pão de ló fofinho que até pode ser usado um pouco mais seco, se for o caso de aproveitarem sobras.
As quantidades de creme que indico servem para meio pão de ló e rende uma sobremesa para 4 a 6 pessoas. Se tiverem mais bolo, dupliquem as quantidades dos ingredientes e façam mais creme.

Ingredientes para 4 pessoas:
Meio pão-de-ló cortado em fatias finas
150 gr de açúcar
75 gr de água (pesei a água na balança e não com medidor em ml)
Raspas de uma laranja
1 pau de canela
4 gemas de ovos
50 gr de amêndoa em palitos
Canela em pó qb para polvilhar

Preparação:
Comece por cortar o bolo em fatias finas e disponha-o num prato fundo de servir.
Deite o açúcar, a água, o pau de canela e as raspas de laranja num tacho e deixe ferver. Depois reduza ligeiramente o lume e deixe o açúcar atingir ponto de pérola. Quando isso acontecer, retire o pau de canela da calda e tenha as gemas batidas numa tigela à parte. Vá deitando muito lentamente pequenas porções da calda de açúcar nas gemas. Mexa sempre para as gemas não talharem. Vá deitando em fio até gastar toda a calda. Mexa muito bem, junte a amênda e leve ao lume por cerca de 5 minutos mexendo sempre para engrossar o creme. Quando estiver pronto deite o creme em cima do bolo. Deixe arrefecer e polvilhe com canela a gosto.

Bom apetite!